Eu me violo.Violo-me.Devastada,eu.Em minhas poesias de pseudônimos pergunto se desde então será sempre que vou estar a me derramar.
Não corrompe.Esburacada.Um buracão.Esburaquei-me?Só sinto devastada.Derramo-me;Derramo-me.Largo.Me.O desespero foi tanto que me escrevo em laranja.Meu gatilho não teve a mesma eficiência que quando jovem.Teve?
Não.
Ainda sinto o buraco e a falta.Minha tampa?Não tampa.Oca,não.Meu preenchimento,isso sim,era pra ser meu mesmo,de mim?
Quando isso acabar,eu morri.
Um final feliz,por quê não?
Não tem ajuda,estou solta,á minha mercê e não sei minhas interrogações das quais uma é tentar.Vontade,tenho.Medo de não ser o momento,também.E se a razão vem a falecer antes de mim?Perco o chão,o céu,a vontade,perco o Deus.Se a razão sumir pra sempre?Pra onde vão meus passos?Vão azuis.A tinta não me encontra direito e,no entanto,preciso tanto.Posso me contrariar tão instável.A sinestesia me derramou.A metalinguística me engoliu.Há muito a metáfora me devorou.
Tenho vontade de deitar no chão e me deixar levar mas meu corpo permanece de pé e luta,luta,incansável,como se eu não estivesse nele,como se cada mordida não dilacerásse.
Caneta laranja não serve.
Eu derrubo,mas continuo em pé,como se não tivesse nada.Eu não caio,só brilho sem pensar.
Caneta laranja não serve.
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