terça-feira, 5 de setembro de 2017

A Cura

Floresci,floresci
E minha mão fez aquela curva
Tão,tão amável
Deitei-me.Ali,no nada,não competia.Cantei,dancei,subi decidida por onde já havia passado.Cheguei e então estaquei.Conscientemente insubível,subindo inconscientemente.E,para cada agora que pensava,um passo dava.Assim foram muitos passos inefetivos,talvez,refeitos,com certeza.Vi que nunca tive menos que agora e agora nunca me pertenceu mesmo que sempre ao meu lado.Não um amigo,não uma condenação,não um dever.Um presente emprestado,creio.Recebe,você,não tem.Pode então ser tocado,você,e devolver,sem tocar,sem entregar.Simplesmente já não ter.
Com tantos agoras nada nunca restou para ninguém que,mesmo tão importante,também não importava.Só atraímos momentos.Só.
Pela primeira vez sinto o tão falado vazio existencial.Perceber que feita de momentos e não feitora dos mesmos mostrou o medo de tão pequena eu em universo tão baleia infinito.Adrenalina.Adrenalina por apenas lembrar que respiro.Vida montanha-russa.Por que russa se tão baleia onde vivo?Vida radical,tão grande que nenhuma palavra inventada cabe nessa existência,são todas muito pequenininhas.Sempre acreditei em todos os espaços que me foram dados,sempre soube que podia ter o universo ali se quisesse.Não gosto do verbo ser,alguns dias.Sou pedaço invisível a olho nu da letra minúscula entre as linhas escrita pelas circunstancias.Nunca tive direito à escolha,nunca precisei tomar uma decisão.Impossível sair da linha.A existência é limitada á sentir a adrenalina da montanha e esperar ansiosamente pela próxima curva.Ou se apavorar e se jogar nos trilhos.
Feliz.Medonho.Maravilhoso.Ninguém é menor que imaginamos e sabe admirar.É proporcional à nossa biloca-moradia.Tão humana.Tão orgulho.

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